quinta-feira, 14 de agosto de 2008

De uma sinceridade ímpar embora pudesse ter sido bar

Às vezes, do nada, de onde não se sabe ao certo, surge uma imensa vontade de tomar uma cerveja. No entanto, mais importante que esse desejo é o convite para partilhar esse desejo. E mais importante que o convite da partilha é a capacidade de dizer sim dos que são convidados. É uma pena que essa máxima não seja de conhecimento de todos aqueles que são.Há dias que as coisas não dão muito certo, apesar de um belo dia de sol, das responsabilidades em dia etc e tal. Mas não há como saber previamente sobre esses dias. Porque acontecem sempre sem sobreaviso. O engraçado é que sem sobreaviso liguei para os amigos a fim de tomar cerveja: os que não souberam escolher a profissão estavam de plantão; os que estavam com a consciência pesada saíram com seus filhos; os surpreendentes viajaram para um outro estado, para uma festa de uma família que não existia há dois meses antes; os bêbados desligaram o telefone; os cínicos amanheceram doentes; os desocupados se preparavam para assistir aos jogos do Santa Cruz e do Náutico; os desorganizados confessos estavam no escritório; os artistas, ultimamente, estavam muito chatos e loucos; os reféns estavam dando aula; a namorada não queria me ver tão cedo, embora cedo sempre acordasse. E eu, ali, em mim, tão logo, tão cedo, tão nada e indeciso.Pensei ir à praia ver as meninas de biquíni. O tempo nublou e abafou a brisa que a mim seria agradável. Desisti. Pensei em visitar minha família. Mas será que eles se lembrariam ainda de mim? Desisti. Ler, escrever, computador. Melhor não. Durante cinco dias da semana e aproximadamente sete horas por dia estou lendo, escrevendo e pesquisando. Desisti. Cinema. Na semana anterior assisti a todos os filmes que me interessavam. Além do mais, ainda não eram nem onze horas da manhã. Não havia nem do que desistir. Mas teria desistido se fosse possível. Perguntei a minha mãe se ela queria ajuda com os legumes do almoço e a mim foi dito que eu sou atrapalhado com assuntos que não me dizem respeito. Até que resolvi pensar em ficar em casa ouvindo música e tomando cerveja. Seria legal. Mas acontece que eu só queria ouvir bossa nova e os cds que queria ouvir estavam na casa de um casal amigo que esquecemos quando lá fomos antes de um desentendimento comum sobre coisas que poderiam deixar de existir facilmente. Mas o que importa é que esse dia foi de uma sinceridade ímpar. Embora pudesse ao menos uma vez ter sido bar.

1 Comentários:

Às 15 de agosto de 2008 às 07:45 , Blogger Unknown disse...

Ahhh... alguns dias a gente nem deveria levantar da cama, né? Ainda bem que o relógio não pára.
;o)

 

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