As Perdas nossas de cada dia
Não costumo refletir sobre as perdas. Mas isso não quer dizer que seja indiferente a elas. As perdas doem. Algo deixar de existir é algo muito triste. Talvez, por isso, negue-me a refletir a respeito. Talvez por não ter sido ensinado a perder. Em gearl, não se está preparado para perder. Primeiro, na infância, costuma-se perder objetos; na juventude, jogos, namorados e namoradas; na idade adulta costuma-se perder a razão e oportunidades e na velhice, definitivamente, pessoas, não necessariamente nessa ordem. A vida é tão matreira que o que perdemos na maioria das vezes não percebemos. Isso é difícil de aceitar. Pior é quando a perda envolve pessoas, quando não temos oportunidade de dizer adeus ou quando tomamos consciência de que poderíamos ter feito em relação a elas: uma oportunidade de nos tornarmos mais dignos; mais vivos; mais humanos; mais racionais. Observar a dor da perda nos outros é muitas vezes, egoisticamente, um alivio porque não se trata de nós. Mas, e quando nossa hora chegar? O que seríamos capazes pensar, querer? Será que haverá alguém ao nosso lado? Piegas é uma palavra que existe e pode ter um significado muito diferente do que imaginamos. Na maioria das vezes não sabemos o que é realidade. Apenas imaginamos.
